quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Venda mais ajudando o seu cliente.


Artigo publicado na edição 419 - Agosto - do Jornal de Peruíbe

Vendedores ainda me perguntam a frente das lojas: Posso ajudar Sr. ?
Que empresa é esta que não se preocupa em treinar aquele que é responsável pelo sucesso de sua empresa: o Vendedor. Como o mais importante funcionário de uma empresa pode oferecer algo que realmente não conhece. Também não conhecer seu cliente, mesmo que em potencial é uma grande decepção.
O vendedor deve estar atento as novidades e promoções da casa e motivar a curiosidade do cliente que se aproxima com uma pergunta que permita o diálogo e desperte a curiosidade. Que tal: O sr. já conhece nossa nova linha de produtos ? ou.. Acabamos de receber novos produtos que serão a moda este ano, vamos dar uma olhada sem compromisso ? Já experimentou a deliciosa...?
Perguntas como estas, possibilitam mesmo com uma objeção que o vendedor ainda tente mais uma réplica sem ser inconveniente. Objeções como , seu produto é muito caro...vou pensar um pouco....no momento eu não quero, desmontam a oportunidade de vendas em mais de 90 % das ações, porém pesquisas mostram que 70% das vendas acontecem após a 5a objeção , mas grande parte dos vendedores desistem na 1a objeção.
Há muita estratégia interessante no treinamento de vendedores, seja por telefone ou pessoalmente.
Ser vendedor é uma profissão gratificante, pois é ter a possibilidade de ajudar as pessoas a tomarem a melhor decisão para elas ! Seu cliente quer chegar em casa e ver com a manifestãção de todos, que fez um ótimo negocio, já pensou misso ?!
O treinamento para preparar vendedores a saberem lidar com objeções é o mais dificil, mas muito gratificante, pois ao final temos profissionais que aumentam sua produtividade consideravelmente nas vendas.
O problema todo é que a maioria dos vendedores se limitam a vender apenas um produto ou serviço, mas não o que este PROPORCIONARÁ para o consumidor !
Perceba que Não é, o que o produto ou serviço é, e sim o que ele poderá fazer por seu cliente.
Este é um assunto que me fascina, pois com o treinamento certo, é possível mudar a estrutura de vendas de uma empresa para sempre, incluido a vida dos funcionários. São inúmeros os estudos e técnicas a serem aplicadas para cada tipo de serviço ou produto. Um mundo a ser explorado.

sábado, 13 de agosto de 2011

Serviço e Hospitalidade.


Quero compartilhar desta vez com um tema que me encanta. O dom que algumas pessoas têm em servir ! algo tão natural e estimulante que pra mim trata-se de uma verdadeira arte. Valorizar esta arte é esclarecer a diferença entre Serviço e Hospitalidade. Serviço é meramente técnico, é possível avaliar ao final de um período os resultados, de forma mensurável. Chegam a ser números muitas vezes que contam ao final como a melhor forma de avaliação para um empreendedor a respeito dos serviços prestados por sua empresa. Na verdade o serviço pode ser muito melhor do que apenas um "monólogo" já que o sistema de atendimento ou vendas são muitas vezes humanamente automatizados, talvez eficientes na maioria das vezes, mas a pergunta que devemos nos fazer é se com as mesmas respostas, os mesmos procedimentos, estes sistemas não cansam, não se tornam ineficientes. Quer dizer que muitas vezes formatamos um estilo de atendimento e o colocamos em prática, mas pulamos uma fase muito importante que é a identificação de quem é ou como é o seu cliente. A partir desta identificação, podemos sim, iniciar o processo de formatação de um sistema para atendimento ou vendas. Mas prefiro dizer que  podemos aperfeiçoar isso, chegar ao topo. E entender a distinção entre Serviço e Hospitalidade é onde se separa os bons dos melhores. Completo ao dizer que serviço é a "entrega" de um produto e Hospitalidade é como a "entrega" deste produto fará sentir aquele que o recebe, ou seja, o primeiro é um monólogo e o outro é um diálogo com o cliente! Um se ensina o outro se descobre, e ao se descobrir na pessoa que serve, o estimula, aperfeiçoa. A soma de todas as coisas atenciosas, cuidadosas e corteses que sua equipe realiza para fazer o seu cliente sentir que esta do lado dele é Hospitalidade.


Publicado no Jornal de Peruíbe - Agosto - Edição - Desenvolvimento -
                                        

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A cidade do Fango.




Há tempos insisto em questões relacionadas com o desenvolvimento da cidade, principalmente quando partem da condição de que depende muito mais de nós, representantes da sociedade civil. Aqueles que me seguem pelo Twitter @marcocantuaria ou mesmo acompanham as publicações em meu Blog http://www.marcocantuaria.blogspot.com/ podem compartilhar sempre deste conceito. E posso atestar o que escrevo e falo, pois sem estar à frente, como no momento ocorre, de uma estatal ou órgão público, pude buscar estas diferenças com participação ativa em conselhos consultivos, associação comercial e outros "fóruns" existentes para participação e "construção" de novos rumos. Nesta oportunidade, onde posso conciliar a Presidência da Prodep, uma S/A que tem a responsabilidade de administrar também a Jazida da Lama Negra,  desde o cuidado e extração até o produto final apresentado no Lamário, pude desenvolver e aplicar um planejamento com visão no futuro. Gestão estratégica para transformação de um produto in natura, exclusivo da natureza de nossa cidade e que pode nos projetar se bem gerenciado para a redenção econômica, não tenho dúvidas disto. Em primeira instância, junto ao meu querido amigo e competente Coordenador do Projeto Dr. Paulo Flávio, traçamos os caminhos e hoje temos efetivamente disponibilizado à cidade o Produto Lama Negra, no qual, todo profissional da Saúde e Beleza estabelecido em nossa cidade poderá ter acesso a compra desta maravilha. O fomento do Turismo da Saúde e Beleza, elegendo assim a Lama Negra como a estrela que com o interesse da sociedade civil poderá alterar significamente o quadro de desenvolvimento da cidade.Neste sentido um dos grandes objetivos da Prodep, se não o principal é desenvolver mecanismos para fomento do efetivo progresso e desenvolvimento de Peruíbe. Não fosse uma expressão fácil e bonita de se dizer ou escrever, transforma - lá em realidade depende sim de muitas ações. E é exatamente por meio de atitudes com muito planejamento é que temos seguido exercendo com satisfação esta premissa. Porém não é realmente possível desenvolver o progresso em uma cidade sem a colaboração da sociedade civil. Principalmente em cidades com menor potencial industrial ou comercial, existe uma tendência grave em aguardar que as iniciativas partam da iniciativa pública e este é realmente um grande problema que deve ser identificado e modificado.Vejamos que exemplos como a Lama Negra, apontam uma situação que pode resultar em uma grande mudança de comportamento e desenvolvimento para cidade, é que a partir do fomento, isto sim, do setor público ao desenvolver o projeto e o show room da Lama, leia-se Lamário, ainda entrega para uma empresa como a Prodep dar continuidade ao negócio. Agora após muito investimento principalmente em Know-how precisamos despertar a consciência empresarial dos Profissionais da Beleza e Saúde da cidade e ainda mais, que a população possa adotar esta marca como algo verdadeiro e redentor, pois há na Lama Negra todos os requisitos para tornar Peruíbe a cidade do FANGO no Brasil, indústria esta que movimenta milhões de dólares principalmente na Europa.A Lama Negra esta pronta e disponibilizada para todos os profissionais da cidade, para que possamos iniciar este processo.
Muitos me perguntam por que não disponibilizar a Lama Negra para grandes empresas e é exatamente esta a questão que devemos entender, todos juntos, pois isto só tornaria a Prodep rica,contra-senso do que mais desejamos, que é desenvolver oportunidades para o enriquecimento dos que trabalham e vivem em Peruíbe, com consciência e atitudes para que conheçam mais sobre nossas maravilhas, dentre elas a Lama Negra,assim, convido a todos para esta caminhada !
                                               
Publicado no Jornal Acontece - Edição 248 - Desenvolvimento -
                                        

sábado, 30 de julho de 2011

os melhores Gestores segundo Google

ALÉM DE DOMINAR OS TEMAS TÉCNICOS, GESTORES DO GOOGLE
DEVEM SER PRÓXIMOS E ACESSÍVEIS À EQUIPE


A empresa Google fez uma pesquisa durante um imenso processo de qualificação de funcionários para lideranças e inclusive por meio de palavras chaves detectou o que entende ser a "alma" de um verdadeiro líder. Particularmente não vejo novidades, no entanto serve e muito para considerarmos e revermos sempre de que a construção de um líder sempre terá a visão daqueles que serão comandados e é exatamente isto que percebo que alguns profissionais que passam para cargos de lideranças cometem como grande erro, esquecem que foram colocados ali pelo que realizaram como equipe e não pelo que farão com a equipe.
Análises a parte, abaixo o que o Google detectou como a alma do Líder.
Eis o “octólogo” do bom gestor do Google:
1. Seja um bom tutor_Faça comentários específicos e construtivos, balanceando aspectos negativos e positivos. Mantenha encontros tête-à-tête regulares, apresentando soluções para problemas específicos de cada funcionário.
2. Dê poder à equipe e não pratique a microgestão_Conceda liberdade a seus funcionários e, ao mesmo tempo, mostre-se disponível para aconselhamento.
3. Expresse interesse no sucesso e bem-estar dos integrantes da sua equipe_Reserve parte do tempo para saber um pouco da vida pessoal dos funcionários e faça o possível para que os recém-chegados se sintam bem-vindos.
4. Seja produtivo e focado nos resultados_Mantenha o foco nos objetivos, mostre como cada um pode ajudar e use sua autoridade para dar prioridades e remover obstáculos.
5. Seja um bom comunicador e ouça seu time_Lembre-se de que a comunicação tem dois lados. Encoraje o diálogo e ouça as preocupações do seu time.
6. Ajude seus funcionários no desenvolvimento de suas carreiras.
7. Tenha estratégias e visões claras_Envolva todos na confecção e evolução da visão estratégica.
8. Mantenha suas habilidades técnicas-chave, para poder aconselhar seu time_Arregace as mangas e trabalhe lado a lado com a equipe, quando necessário.
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quarta-feira, 20 de julho de 2011

continue ajudando seu líder..

O acessório acompanha o principal e não o inverso. Pois é, sabemos daqueles casos em que o líder, o chefe não tem a competência necessária para comandar e motivar a equipe, mas nestes casos costumo sugerir que o melhor a fazer é continuar a oferecer apoio e serviços. Confie no seu potencial, apresente resultados e mais ainda dê o suporte necessário para que o líder possa até mesmo ser avaliado pelos superiores, pois desta forma sim, não há como ser o que realmente alguém não é. Assim, ajudando, servindo é que recebemos na hora certa os resultados.
Se o líder for recompensado você também será reconhecido e se por algum motivo ele for sustituído as chances de seu nome ser preferido será grande.É a lei do universo amigos, exale amor, trabalho e confiança, e tudo conspirará para que seus planos deem certo !

sábado, 16 de julho de 2011

Administrar no século XXl

É preciso ampliar um pouco mais, certos conceitos do passado, pois vejo que muitos empresários do século XXI, estão ainda administrando suas empresas como no século XX.
Antes o foco era apenas em cliente = custo e margem de lucro; porém há hoje outros valores que foram agregados aos serviços e produtos  e que devem ser motivos de maior atenção. Investimento em seleção de pessoal, habilidade emocional dos funcionários; ter sua Marca relacionada e integrada a comunidade; e o quanto a empresa se torna um ambiente propicio para gestão com seus funcionários são hoje valores  que estão mais relacionados as exigências deste novo tempo. Até mesmo a preocupação em relação a fornecedores éticos  estão sendo monitorados pelo mercado e clientes. Estes se importam hoje em adquirir produtos e serviços que colaboraram para a melhoria da vida das pessoas que estiveram relacionadas com a produção deste. É claro que nas pequenas e médias empresas estes novos conceitos também devem ser empregados, basta uma revisão nos procedimentos atuais e com uma visão mais ampla reconhecer o ambiente de trabalho e também o que há ao redor. “Dar para Receber” deve ser exercitado não só em nossas vidas, mas também no gerenciamento de uma empresa.Faça algo para comunidade que sua empresa faz parte. E tudo isto proporcionará mais lucros, pois você enxergará novos negócios e oportunidades ao redor, conhecerá a rotina, a vida e as necessidades do bairro e de seus clientes.
Outra questão, um desafio: não é fazer o igual ser melhor, mas ser indispensável  por ser melhor;   toda diferença esta em estratégia,  inevitável para que administradores trabalhem  o negócio e não no negócio.  O conceito de cuidar de sua empresa não esta necessariamente ligada a que o dono precise ficar 24h “atrás do balcão”. Como se explica o sucesso de se ter 10, 20 filiais? Trabalhar o negócio é a resposta, que  é conseqüência deste itens que relacionamos acima e que permitem enxergar no horizonte as oportunidades. Saía de traz do balcão. Conheça sua vizinhança, seus clientes e concorrentes, saiba como sua empresa é vista por todos, talvez você se surpreenda, mas reformulará rumo ao sucesso!


Publicado na Edição 417 do Jornal de Peruíbe.

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terça-feira, 12 de julho de 2011

você sabe dizer não ?



Falar não é realmente dificil, mas as vezes necessário e importante.
Quase uma virtude a ser desenvolvida, já que imprescindivel para que a capacidade de execução de projetos e tarefas possam estar dentro dos padrões que você define como de "alta performance". Lembre-se que são com os resultados que se avalia o potencial de um "Realizador".  Geralmente a capacidade desta ação, motiva que você seja uma pessoa mais equilibrada e certa quanto aos objetivos, mais vale um Não do que um trabalho assumido e não correspondido, concentrar-se e ter em mente as prioridades e projetos, seja de curto, médio e longo prazo. Tente visualizar pelo menos sua vida para o ano em exercicio, e priorize as ações que exigem todos os seus esforços para o sucesso !
marcocantuaria@hotmail.com
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quarta-feira, 6 de julho de 2011

algumas ações mágicas..


Já notaram o quanto um elogio, um incentivo, um reconhecimento em determinado momento pode ter força mágica em sua equipe ou colega ?
É interessante o quanto ainda me surpreendo lidando com pessoas, até mesmo naqueles mais experientes a química faz efeito surpreendente.
Pode mudar muitas coisas, seja no mundo corporativo, seja em tecnologia, mas o homem ainda é movido por emoções e precisa a todo instante de combustível. Alguns precisam de mais, outros de menos, mas todos precisamos, porém como tudo na vida, também é preciso ter razoabilidade, ter harmonia e bom senso nestas "relações químicas", pois o combustível é formado também por outras disposições importantes, que aparecem como consequência de resultados de sucesso !! Faça seu elogio hoje..

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Turismo de Saúde e a Lama Negra de Peruíbe


Certo da eficácia de métodos de gerenciamento e liderança, iniciaremos agora um trabalho focado no efetivo gerenciamento do Lamário. Após algumas avaliações chegamos na identificação de um profissional que será o responsável por aplicar o plano de trabalho que apresentarei. O Lamário precisa a partir de agora de uma transformação operacional, pois devemos nos preparar para o fomento do Turismo de Saúde, que será mais um pilar de nossa econômia com a ajuda da nova Lama Negra de Peruíbe. A Fangoterapia estará em alta.
Inúmeros protocolos de interessados na aquisição da Lama já foram requisitados e a profissionalização destes é inevitável, assim, ofereceremos suporte técnico, de marketing e operacional para todos que se manifestarem a favor de trabalhar com a Nova Lama Negra. Uma campanha de Marketing já começa a ser discutida e será em breve iniciada para de forma global manter a cidade mais interessada neste produto e no poder de transformação que ela tem, se bem trabalhada por todos.
O Lamário deve ser fortalecido como um Show Room, este Centro Demonstrativo do uso da Lama Negra, mas que tenha uma missão prioritária, a de preparar os profissionais a oferecerem o melhor serviço com a melhor Lama à clientes realmente exigentes, pois estes são o nível de turistas que serão atraídos para cidade a partir da implantação deste projeto. Nossa missão será a de disponibilizar o produto, mas com acompanhamento, monitoramento e oferecer alto nível de capacitação para que transformações e resultados aconteçam em um curto prazo de tempo. Acompanhe ! Faça parte deste projeto !

domingo, 26 de junho de 2011

Embaixadora da Boa Vontade !!




Meu nome é Julia Canhadas Ribeiro e tenho 17 anos.
No dia 12 de Agosto de 2010, embarquei no aeroporto de Guarulhos para uma viagem de 31 horas e meia até a “Terra do Sol nascente”.

Meu intercâmbio por meio do YEP (Youth Exchange Program), idealizado pelo Rotary international e apoiado pelo Rotary de Santos.

As casas das minha host familys foram todas em cidades na divisa entre as províncias de KANAGAWA e TOKYO. Entretanto, a cidade de minha escola chama-se SAGAMIHARA, localizada à cerca de 300 km da usina atômica de FUKUSHIMA.

Dia 11 de março deste ano, estava em um dos ginásios da minha escola ensaiando para uma peça de teatro, quando um tremor de mais de 5 graus atingiu minha região. A estrutura não cedeu, mas o barulho foi estrondoso, digno de choros e gritos de todos os alunos presentes. O desespero tomou conta de mim; impossível ficar de pé ou se deslocar. Ao término, professores e funcionários evacuaram todos os alunos para o “grande campo”. Com um megafone fomos avisados: “este tremor veio do norte. Temos informações de que um pós-choque nos atingirá em cerca de cinco minutos”. Dito e feito. “O país está em alerta de tsunamis. Ônibus e trens estão parados. Aqueles que puderem chegar em casa em menos de 15 minutos de bicicleta ou andando serão dispensados mais tarde. Lembrando de que deve-se contatar a família antes. Todas as atividades da escola estão suspensas. Para a fração de alunos que vão permanecer na escola, vocês serão organizados em salas de aula. Por ora todos devem pegar o material e retornar ao campo. Ainda há grandes riscos de tremor.
Minha rota da casa de minha família na época, até a escola, totalizava de 50 minutos. Eu precisava andar de bicicleta, tomar trem e andar. Por ser intercambista, eles diriam que pensariam em outra solução. Porém, por enquanto, estaria no segundo grupo. Após duas horas e inúmeros tremores, pediram que eu fosse à casa de minha SEGUNDA família, à 10 minutos da escola. O vento soprava na direção contraria, a ponto de me desequilibrar incontáveis vezes. Consegui chegar ao meu destino em torno das 17:30., e pude ver nas notícias imagens ao vivo dos tsunamis. Ainda no mesmo dia, fui transportada de volta para a casa em que estava morando : sem luz. Fiquei na parte em que foi atingida pelo primeiro apagão. A noite foi fria, sem aquecedor. As linhas de telefone congestionadas. Sem internet. Não possuía maneiras de entrar em contato com ninguém do Brasil.
O dia amanheceu cinza e triste. Caminhei ate a estação para ir à escola. Esperançosamente, o ensaio não teria sido cancelado. Os trens já funcionavam, em uma taxa de 30% da circulação habitual. O ar estava pesado, mas todos foram de cabeça erguida trabalhar. Muitos faltaram ao ensaio, já que passaram a noite na escola; e por morarem longe, os pais preferiram que permanecessem em suas residências. A semana seguiu-se da mesma forma. Com a instabilidade da energia elétrica, rotações de apagões foram feitos: bairros foram agrupados em diversos grupos, cada um com um horário diferente para cumprir com apagão caso a luz faltasse; muitas linhas de trem estavam paradas; as que funcionavam, com apenas uma porcentagem da atividade normal. Incrível como todos que podiam sempre iam à escola. O número de compra de tênis esportivos cresceu no país: criou-se o hábito de acordar mais cedo e ir ao trabalho à pé. As duas semanas que sucederam o acontecido, ao menos um tremor intenso por dia e inúmeros de escala menor. Foi em um dias desses que eu passei por um tremor ainda maior, de mais de 6 graus.
Não houve um dia em que o povo baixou a cabeça e aceitou a situação. Não foram coagidos nem mesmo após o acidente nuclear. Nunca deixaram de lutar, nem por um dia. Trabalhavam, estudavam; tentavam manter uma rotina normal. Eles sabiam que a situação não era boa, mas “lamentar não leva à nada” como disse um de meus pais japoneses. Eu decidi ficar e ajudar. Fiz muitos trabalhos voluntários para arrecadar dinheiro; economizei luz e água; racionei comida. Em uma das reuniões rotineiras no Rotary, meu conselheiro orgulhosamente bradou: “ Você realmente aprendeu a ser japonesa. Você nos entende e entende nossa cultura. É uma pena que esteja aqui em um tempo como esse. Mas você verá, tudo vai ficar bem. Acredite no Japão, por favor.” E eu repito: acreditem no Japão.
O período que fiquei fora do Brasil somou-se 10 meses. Passaram rápido e, não fosse o acidente nuclear, tenho certeza de que completaria o ciclo de 12 meses e ainda pediria por mais. O segredo é adaptação, e ouso dizer que eu soube adaptar-me muito bem. Só estou tendo dificuldades agora para me reintegrar ao Brasil. (risos)
Fui hospedada por três famílias. A quarta já estava se preparando para me receber quando minha volta foi solicitada. Todas completamente diferentes, divergindo em diversos pontos como exigências, construção familiar, envolvimento, comida etc. Minha primeira mãe foi Filipina e, mesmo após 20 anos no Japão, admitia não dominar o idioma. Ela me auxiliou muito quanto aos costumes, me preparou. Além do mais, o meu pai era bastante aberto à diferenças culturas, amenizando bastante meu choque cultural. Eu era filha única, assim como sou no Brasil, entre outras semelhanças.
A segunda era composta por mãe, pai, dois irmãos, uma irmã, avós e uma cadela bacê ( a cookie). Meus irmãos estavam ocupados de domingo à domingo, o dia todo, o que me inspirou muito a procurar atividades para manter-me ocupada. Em duas semanas de adaptação, comecei tantos cursos e aulas que mal tinha tempo para conversar com meus pais. Uma vez ao mês era muito.
No Natal, recebi uma ligação de meu pai brasileiro solicitando que participasse por internet da ceia. Lembro-me bem, que passei meu Nata,l afundada em deveres de férias. Meus irmãos, todos fora o dia inteiro, trabalhando, estudando ou treinando esportes. De noite comemos “bolo de Natal”. E só. Por incrível que pareça, não senti falta de nada. Sentia-me tão integrada na cultura que já estava começando a pensar como uma japonesa.
Já a minha terceira família, era um casal de idosos de 70 anos cada um, e uma das filhas de 30 que ainda não estava casada. O pai, bem restrito. A mãe, muito “moderna” e energética. Talvez tenha sido a mais difícil para adaptação, mas mesmo assim, não tive problemas. Estava sempre tão ocupada com atividades na escola, e minha mãe me mimava como uma avó (risos).Gostei tanto deles quanto às famílias anteriores.
O meu conselheiro também foi um pai para mim. Nunca me recebeu para mais de um jantar em casa, mas sempre se preocupava comigo, estava aberto para me ouvir sempre além de procurar sempre o melhor para mim. Meus pais certamente nunca confiaram em outra pessoa como neste meu conselheiro. Arrisco dizer que é a pessoa que mais me apeguei e que mais sinto falta do Japão. É o meu segundo pai...e mãe!
Eu freqüentei uma escola pública, renomada em todo o Japão. Como o ano letivo vai de abril à março, entrei cursando o segundo ano do ensino médio. Entrei para os clubes de Vôlei, caligrafia, cerimônia do chá, art-live e dança. Eu tinha permissão dos professores para revezá-los, podendo assim participar de um maior número já que todas as práticas são diárias (domingo à domingo). Fiz aulas de Kendo (luta com espadas japonesas) e de japonês à parte. Pratiquei esqui e patinação no gelo também. Enfim, aproveitei ao máximo. Se há algo que posso afirmar de meu intercâmbio é que eu aproveitei ao máximo. Por me esforçar tanto para conhecer a cultura, e até mesmo por fazer todas as provas, cativei e impressionei meus professores.
O idioma foi difícil no começo. Em duas semanas me acostumei com o “kangaekata”, ou seja, a forma de se pensar. Então já conseguia pelo menos entender. Então comecei a assistir seriados, desenhos, filmes etc. Isso foi muito importante para aprender um vocabulário muito variado. A partir do meu segundo mês, toda semana alugava da biblioteca municipal cerca de 5 livros infantis. Com o tempo passei à livros e alguns jornais. Mesmo que usasse muito dicionário, sempre somava como aprendizado. Ainda sim, o mais importante é conversar. Procurei nunca desperdiçar tempo com colegas. Sempre falando, sendo corrigida, prestando atenção nos sotaques e formas de falar. Fui muitas vezes elogiada de meu japonês ser muito natural para uma estrangeira. Hoje já me expresso muito bem na língua.
Acredito que intercâmbio é o primeiro passo de um caminho que nos direciona à um mundo melhor. Se existe um meio de atingir a paz mundial, é através do respeito mútuo entre as nações; Se desde jovem você aprende a gostar de uma outra cultura, de um outro povo, você também abre a mente e compreende que todas as outras também são válidas; são apenas outras formas de ver o mesmo mundo. Desempenhar o trabalho de embaixadora amigável é, acima de tudo, mostrar às pessoas que você aprova, admira o país dela, respeita tanto quanto a própria pátria. Você toca, alcança o coração de inúmeras pessoas. Elas vão passar a  compreender e respeitar diferenças também. É um efeito dominó. Há pelo menos 10 amigos que decidiram fazer intercâmbio ao me acompanhar. É, sem dúvidas, o melhor ‘trabalho’ do mundo.
Há uma diferença entre a vida de adolescente e de uma intercâmbista. Intercâmbista não tem preferência de comida; come qualquer coisa. Não tem dor de cabeça, de barriga; está sempre bem disposto e com sorriso no rosto. Não reclama; tudo está sempre perfeito. Não sente saudades de casa; se adapta.
Eu me integrei em outra cultura. Eu aprendi a me adaptar. Eu senti como a vida é frágil, como pode não haver um amanhã. Desenvolvi ainda mais independência. Eu cresci.
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